terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Li O Nascimento, O Regime, O Rapto e A Vitoria Final

Olá a todos,

Terminei finalmente os 16 volumes da série Deixados para Trás, para quem não vem acompanhando o Blog, trata-se de uma ficção baseada numa leitura literal e escatológica do livro do Apocalipse.

Bom, vamos dividir esta resenha em duas partes:

Nascimento, Regime e Rapto: Estes três livros contam a estória anterior ao início da série onde inclui o nascimento do Anti-Cristo, e a sua ascensão ao parlamento da Romênia. E inclui também um pouca das estórias de alguns personagens principais do Comando Tribulação, como viviam, como ouviam estórias da Bíblia e não acreditavam muito, consequentemente Deixados para Trás.
Estes três volumes podem ofender diversas pessoas que os autores consideram praticantes de atividades anti-cristãs. Exemplo máximo (contém spoiler):
Os pais do anti-cristo serem um casal gay masculino que recorrem à um laboratório de engenharia genética para gerar o "embrião", e usando uma mulher que deixa o marido devido à um forte desejo de ser mãe, e tudo guiado por sessões mediúnicas onde os espíritos auxiliadores são da turma do Lúcifer (Satanás). Com isso os autores atacaram diversas correntes num só volume (O Nascimento). Mais politicamente incorreto, impossível. Nem o Islã escapou.
Já os trechos onde conta-se as origens dos demais personagens é do mais puro "enchimento de linguiça", chatérrimo.

Para estes três minha nota é 3,5. Só valeu pela antevisão da nova Jerusalém.

A Vitoria Final: conta principalmente o primeiro século do reinado de Jesus Cristo na Terra (que dura um milênio) após o Glorioso Aparecimento. Já no início do livro os autores avisam que a abordagem apresentada não é de concordância geral, onde as 12 tribos de Israel voltam a se formar lideradas principalmente pelo rei Davi (aquele que derrotou Golias), aparecendo inclusive conflitos com o Egito.
Neste volume os pontos altos, são quando aparecem os heróis do Velho Testamento e contam suas estórias, até o Noé apareceu, mas em grande parte esses trechos são cópias de textos bíblicos.
A Vitoria Final que dá nome ao volume, não passa de duas páginas, onde ocorre o último enfrentamento entre Jesus e Lúcifer (que é solto ao fim do milênio). Faltou imaginação, mas ficou claro que tentaram ser o mais conservadores possível.

Para este último volume, minha nota é 6.

Acho que agora posso dar um opinião da série como um todo:
Interessante, talvez não houvesse a necessidade de ser tão extensa, afinal 16 volumes demora um pouquinho para se ler. Os autores tentam de diversas maneiras traduzir os complexos textos do Apocalipse numa ficção que cabe muito bem nos dias de hoje.

Nota Geral: 6,5

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Assisti Avatar

Olá a todos,

Assisti (um pouco tardio) ao filme Avatar, e creio que um review dele deva ser feito sob dois aspectos: Estória (enredo) e tecnológico (a produção do filme).

Ok, vamos à primeira parte: A Estória.

Aqui fica óbvio o objetivo é remover qualquer risco de não agradar o público, seguindo praticamente à risca receitas consagradas, ou seja, mocinho, que se apaixona pela mocinha que está com o seu povo em perigo e que ele passa a ajudá-los contra os inimigos de quem ele mesmo no início fazia parte, ou seja, uma mistura de herói com traidor. Alguém lembrou de Dança com Lobos? Eu lembrei.

Somado à isso um pouco da religião pagã e a ideia de Gaia, onde todo o planeta e seu seres vivos tem a mesma origem (o que no filme foi introduzido numa maneira inédita e genial), o que reforça o lado ecológico do filme, pois os inimigos querem derrubar a floresta para pode extrair um minério valioso.

E pra fechar, um modelo militar que o próprio diretor já havia usado anteriormente em Aliens (observe a cabine da nave de comando e a pilota usando um óculos Ray-Ban, igualzinho), e frases tiradas diretamente do ex-presidente Bush como por ex: "Temos que iniciar uma guerra "preventiva", combatendo terror com terror."

Agora a Tecnologia:

Primeiro: Uau!!! ... Sem palavras por um momento...

Eu lembro bem o dia em que fui ao cinema assistir à Jurassic Park, onde fiquei tão embasbacado quanto o personagem de Sam Neil ao ver o primeiro dinossauro. Nossa, ele parece de verdade (!). Inclusive o próprio George Lucas ao ver este filme pensou o mesmo e decidiu dar inicio à nova trilogia Star Wars, pois o cinema tinha atingido um novo estágio. Mas quando se assiste filmes como Star Wars e Matrix, existe uma certa sensação de artificialidade, como: - Legal essas cenas, mas sei que são geradas por computador.

Agora em Avatar é diferente, praticamente nada passa a sensação de ser artificial (alguns bichos talvez), as plantas, as florestas, as cachoeiras... simplesmente não dá para dizer se o que estamos vendo é real ou computação gráfica. Os próprios nativos (na'vi) e os avatares dos atores, parecem que são eles mesmos pintados de azul, mas quando eles interagem com humanos e fica aparente a sua altura (3 metros), nos confunde completamente a visão. Isso é real ou não? Como tudo isso foi feito? Logo na primeira cena onde ele corre e sente os dedos do pé na terra, você fica olhando procurando alguma pista. Meu pai que estava comigo na sessão (raríssimo levá-lo ao cinema), disse que eles deve ter esticado os atores, e ele ficou muito impressionado.

O uso da tecnologia 3D foi muito bem empregada, sem a necessidade daqueles abusos clichês comuns do tipo: coisas apontadas na cara do público ou jogando coisas pela tela. O uso dela se restringiu à dar ao público a possibilidade de olhar e admirar as belezas de Pandora (planeta ou lua onde se passa o filme).

As cenas de ação são vertiginosas (mais ainda se você assistir numa sala IMAX, como eu :-)). As cenas de altíssimos penhascos são usadas à exaustão (e novamente vem a sensação: como fazem isso? Onde estava essa câmera? Olha um míssil passando! Uma bicho enorme alado esta atacando aquela nave! Respira, respira... :-))

O filme poderia ter sido um pouco mais curto, em alguns momentos ele cansa um pouco, principalmente durante o romance açucarado e inocente entre o mocinho (Sam Worthington) e a mocinha (Zoë Saldaña); fica inclusive a repetir em mostrar o cenário repetidas vezes. Alguém me acorda quando esse trecho acabar.

Ok, já falei demais segue notas:

Estória: 7 - muito bobinha, podia ter ousado um pouco mais.

Tecnologia: 10 - acho que foi pra isso que o filme foi feito, senão seria apenas mais um filme de homem "civilizado" contra homem primitivo e nativo.


Avatar

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Assisti Lua Nova

Ola a todos,

Andei meio ausente dos cinemas ultimamente, mas consegui uma brecha para ir assistir Lua Nova. E estava curioso por este, afinal li os livros. ;-)

Primeiro estava um pouco preocupado com a direção, afinal Chris Weitz arruinou o filme Bússola de Ouro (um dos meus livros favoritos, sniff). Mas depois entendi a escalação: Houve apenas uma cena bem feita em Bússola de Ouro: A luta dos Ursos de Armadura, e pasmem, a cena foi repetida igualzinha em Lua Nova na cena da briga dos Lobos (replay total).

Ok, quanto ao filme, conseguiu de maneira consistente transferir a fase depressiva de Bella para as telas, com destaque à cena onde ela senta-se em seu quarto, enquanto a câmera gira em sua volta e se observa os meses passando. Para quem não leu o livro, algumas coisas ficaram estranhas e sem sentido (sério, eu questionei algumas), portanto apenas irá curtir mesmo os que leram a obra.

Os atores, infelizmente, continuam uma lástima. Antes eu achava Robert Pattinson um ator ruim, agora tenho certeza. As tentativas de demonstrar qualquer tipo de emoção destoam totalmente com relação ao resto do elenco, e Kristen Stewart até que é esforçada, e acaba combinando bem com a personagem sem sal do livro. Taylor Lautner surpreendeu, mostrando-se bem à vontade na interpretação de Jacob (apesar que no livro ele é mais jocoso e cínico).

Há, e já ia esquecendo, os Volturi até que estão bem retratados, mas dá uma sensação de Anjos da Noite. Dakota Fanning deve ter se divertido aos montes. Esperamos por ela nos próximos filmes.

Minha nota: 6,5 Para fãs do livro somente.

Escolhi um trailer com mais ação para não acharem que é filme pra menina:

Trailer Lua Nova

domingo, 22 de novembro de 2009

As duas tragédias de Oscar Wilde

Olá a todos,

Costumo de vez em quando postar no okut alguma frase que tenha me chamado a atenção, e a última que postei foi de Oscar Wilde que diz o seguinte: Existem apenas duas tragédias no mundo. Uma é não conseguir o que se quer; a outra é conseguir. Hã? Isto parece não faz o menor sentido.

Dias mais tarde comecei a pensar nesta frase e observei que apesar dela parecer pessimista e surreal, observei que ela é um interessante retrato do mundo dos nossos pensamentos. Vamos analisá-la por partes:

Não conseguir o que se quer [ou deseja]. Esta frase é inclusive citada no Budismo como a principal fonte da infelicidade, quando não conseguimos o que desejamos nos tornamos infelizes. Para solucionar este problema, basta que deixemos de desejar e de ter objetivos, mas desta forma o que seríamos? Estátuas? Se nada desejo, se não tenho objetivos, o que sou então?

Mas foi a segunda parte que mais me intrigou: Conseguir o que quer [ou desejas] também é uma tragédia. Será que após conseguir o que desejamos, iremos ficar frustrados e desorientados? O Curinga diz no último filme do Batman, que ele é um cachorro perseguindo carros, e que não saberia o que fazer quando alcança-se um.
Os chineses nos dizem para termos cuidado com o que desejamos, pois podemos conseguir; será que eles quiseram dizer que não iremos conseguir lidar com o que conseguirmos?
A própria conquista do objetivo pode trazer consigo uma decepção. Pois a sensação pode ser bem diferente daquela que idealizávamos. Talvez seja este o motivo de algumas pessoas ficarem tentando bater seus próprios recordes, querem derrotar a elas mesmas(?).

Consegui o que queria, e agora?

Se levarmos a frase de Oscar Wilde como verdade, estaremos presos num paradoxo, pois não podemos nem deixar de ter objetivos e desejos e nem podemos alcançá-los, o que nos leva a seguinte conclusão: mantenha-se buscando, mantenha-se remando, mantenha-se andando; e deixe a vida definir quando é o momento de parar, caso contrário... Mais uma tragédia de Oscar Wilde.

Fui

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Li O Possuído, A Marca, Profanação, O Remanescente, Armagedom e O Glorioso Aparecimento

Olá a todos,

Como podem ver pelo título deste post, li os demais volumes da série Deixados para Trás, logo vou fazer um único review para os capítulos 6 à 12.

Primeiramente vou comentá-lo apenas como obra literária, vamos esquecer a parte religiosa (discutir religião é sempre um campo minado).
A obra como um todo, como eu já havia dito nos reviews anteriores é uma leitura literal e escatológica do livro do apocalipse, e durante os seus diversos capítulos e volumes, nota-se o cuidado para que cada acontecimento relevante na estória tenha a sua fundamentação em alguma passagem bíblica, dando assim uma certa credibilidade com a comunidade evangélica. Ponto pros autores, isto não deve ter sido simples de alcançar.

Interessante que quando comecei a postar sobre a leitura desta coleção, recebi alguns contatos de pessoas querendo saber das minhas convicções religiosas, ouvi inclusive se estava lendo por ser crente ou apenas por curiosidade. Eu leio porque gosto de ler, e gosto do assunto religião. ;-)

Mas voltado, infelizmente a segunda metade dos volumes não conseguiu manter o suspense e a ação iniciada nos primeiros, restringindo-se a apenas um ou no máximo dois evento relevantes por livro, que geralmente ocorrem apenas nos últimos capítulos (me lembrou aqueles seriados americanos, onde no final acontece algo que só irá concluir no início da próxima temporada). Um exemplo foi de uma parte onde um membro coadjuvante do chamado Comando Tribulação (grupo de resistentes contra o Anti-Cristo) é preso, e mais da metade de um livro foi como libertá-lo, que no fim nem foi necessário, pois ele conseguiu escapar sozinho.

Resumindo: Os seis volumes finais poderiam ser tranquilamente apenas 3, muito cansativos.

Algumas situações que me chamaram a atenção:
O anti-cristo é retratado como alguém muito inteligente e com grande poder de oratória e persuasão, mas depois que ele é possuído por Lúcifer, mostra-se uma pessoa infantil e de certa forma até "birrenta", do tipo, eu quero assim e todos tem que gostar que eu faço assim e me adorar porque sou o máximo (sic). Um retrato diferente das diversas representações que vemos no cinema e outros livros.
E o falso profeta? Uma espécie de Papa do Anti-Cristo/Lucifer; cômico e estabanado como um integrante dos três patetas. Não entendi bem o que os autores quiseram demonstrar com isto. Improvável que alguém o levasse realmente à sério.

Outra situação que de certa forma choca um pouco os desavisados, é uma certa crueldade demonstrada por Jesus Cristo em seus julgamentos (afinal, agora o Cordeiro volta como um Leão), principalmente com as pessoas que não o aceitaram, inclusive os "em cima do muro", onde simplesmente abre-se um buraco no chão e são lançados às chamas eternas do lago de fogo; apesar do livro ficar repetindo, que o que aparenta ser crueldade, é na verdade apenas justiça, e os personagens entendem isso. O contrário é também verdade, é bem retratada a maneira amorosa que Jesus trata os seus escolhidos (os que nele creem).

Em pequenas passagens, invisíveis aos olhos de quem não conhece as diversas religiões no mundo, os autores dão pequenas alfinetadas nas demais crenças, as vezes até de maneira deselegante, como na seguinte frase: "ele que foi criado numa religião aberrante", por tratar-se de um oriental, suspeito tratar-se de uma referência ao Xintoísmo. Mas a maioria dos leitores não vão notar esses detalhes que não costumam passar de uma palavra apenas por volume.

Nota: 6 Começou muito bem, mas na segunda metade ficou evidente a tática "encher linguiça", poderia ser bem mais curto.

p.s.: Algumas pessoas com quem tive contato sobre o livro, ficou evidenciado que nenhuma havia lido além do primeiro livro. :-\

p.p.s: Vou ler algumas outras obras e depois voltarei a esta série onde ainda há mais três livros prequel e mais um de sequência.

Novamente gostaria de dizer que o objetivo deste review é apenas ater-se à obra literária, sem questionar ou criticar a doutrina apresentada nem o ponto de vista religioso dos autores. Não é minha intensão ofender qualquer crença ou religião.

Até a próxima.